Enquanto
caminhava, ele ia levantando as pessoas que via caídas ao longo do caminho. Ou,
pelo menos, tentava. Há pessoas que não podem ser levantadas. E há pessoas que não
querem ser levantadas. Mas ele estendia a mão a todas.
Muitas recusavam a
princípio, achando que era mais um sujeito ruim cruzando suas vidas. Mas viam
naquele olhar simplesmente bondade e vontade de ajudar. E aceitavam.
Ele era
criticado pelos seus pares. Às vezes se atrasava porque parava para levantar
alguém. E muitas vezes gastava do próprio bolso para fazê-lo. Era louco? Que tipo
de retardado arrisca a vida ajudando desconhecidos que podem ser ladrões ou
assassinos? Eles perguntavam e ele se limitava a sorrir. Não tinha uma resposta
em palavras. Mas sabia que não poderia agir diferente.
Um dia,
ele caiu feio. De uma maneira tão terrível que não tinha em si mesmo forças
para se reerguer. E com o rosto em terra deu-se conta de que o fim chegava. E se
preparou, com a serenidade dos que viveram bem consigo e com os outros.
...
De repente,
sentiu que um par de mãos o segurava. Depois mais duas. E outro par. Mais mãos
se juntavam às primeiras e aos poucos ele e todo o peso que o derrubara foram
sendo erguidos. E ele foi colocado de pé e amparado para não cair novamente. E reconheceu
entre aquelas mãos que se multiplicavam algumas das que ele tocara para
levantar pessoas caídas.
Percebeu gratidão.
Mas havia
mãos que não lhe eram familiares. Perguntou a razão daquela ajuda. E ouviu que
alguns nem mesmo o conheciam pessoalmente, mas ouviram falar de sua atitude
solidária, e passaram a tê-lo como exemplo. E começaram a levantar as pessoas. E
nunca imaginaram que um dia levantariam aquele que começara aquela corrente do
bem.
...
Creio
que essa história é autoexplicativa, mas vamos lá. Fazer o bem, não olhando a
quem. Pode ser que um dia, as pessoas ajudadas ajudem de volta. Pode ser que
sejam outras. E, mesmo que ninguém ajude, há uma Divindade justa que não
deixará nenhuma boa ação sem recompensa.
Pense
nisso.

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